15/02/16

.

A noite, sempre constante sob esta caneta,
vigia com atenção um cadáver
pronto para devorar.

18/05/15


Agora, que já vemos
a margem do rio,
digo-che na orelha
que não sei nada(r)

Eras a rainha no mês de março
e eres aínda vento desnortado
            que bate na cara. 






                   
                                                    


                                         Não é a primeira vez que digo
   que este quarto é pequeno de mais
                       para quem quere passar a vida fugindo.




05/03/15

16:14

Agora,
de costas a ti,
imagi-no como te vás
mentres trato de reconstruir-te de frente.

11/12/14





Taxidermia

Pendurado na parede do teu salão
conto os buraquinhos abertos da persiana
polos que entram as raiolas de sol
que se espetam no chão.
Quem me ia dizer.

13/11/14

16/07/14


 Poema de luxúria II


Expulsa teus monstros na minha boca.
Rebénta-te-me na punta da língua
e baila ao som do Rock barato
que perfora os poros da tea.




13/07/14

Genocídio

Perdura colgada da corda
a minha história revolta
de como queimei aquele cadáver
com o lume baixinho.

Perdura colgada da corda
que levo de orelha a orelha,
a história que escrevim
para nós.

Perdura colgada da corda
a história
da que pingam as tuas lágrimas
pola minha cara.

16/04/14
























confesso ter pensado antes e eriçar-me. ser débil.

A rebelou-se contra própria e foi entom que definiu a ferro os tempos e os momentos de expressom das linhas. foi que (re)matou profunda, com ela. que se matou.
foi que entom foi C chorando por cinquenta numha carta e seconal e sódico e o resto via-oral-sétimo-andar. foi Buenos Aires em 72 e no meu bairro a chorar nais. foi um marchar voando, um Golfo. como chover-nos.

eu entendim a meias o do livro. de neno o dos limons, também. o do pássaro. evadir-se. quiçá...
tampouco eram as cousas tam obscuras desde abaixo e mamá explicava-me o funcionamento das saladas com limons de adereçar. pensei bem pouco.


***

junkies, os limons comem-vos dentes.


há que sofrer até romper e que se rompe é porque algo foi inteiro algumha vez. há que chorar para tirar com tudo e que che entendas. se queres. há que ser putas sem parar nas margens.

Querida, mancho-me as maos neste desordem de afluência eterna e sobram-me, respiro ainda. sobra-me todo o que me alcança a repensar memória. como criar-te neste escuro. ou tu, como razom do nom suicídio.

29/03/14

                                                                                          RF

Às vezes bailo eu sozinha. dentro de mim. fago-o para nom molestar. para nom mudar a tranquilidade aparente desta grande 
                         taça de café.

Bailo soa por pracer. tem algo de exquisito saber-se inalcanzável, e aínda assim ver como as formigas tentam subir e bailar.

Canto a diário. Berro. permito-me desafinar, quando ninguém mira. desafiando estabilidade clásica que me digerom era o bem. como quando vou andando pola rua e piso as linhas. adrede. com um sorriso. ou quando me recreo nos meus defeitos, e quase me chegam a gostar.

Um dia a taça de café encheu-se de formigas. Tivem que tirar todo o líquido polo fregadoiro. Figem outro. Outro café. 
Nom há regras. Nem formigas.

03/03/14


























                                                                                                         




                                                                                                                   tenho medo mais uma vez


01/02/14





meto-me dentro de ti. nos teus olhos, suponho. como no filme. 
e o certo é que entro, nos olhos. ou sinto como dentro e vejo-me a mim. vejo-me a mim porque passamos juntas a maior parte do tempo e desfruto. agarro-me. nom podo negar que sofro mas desfruto e até agrada-me saber que isto é assim recíproco nesses momentos de mental espírito. de aproximar-se. que é angustioso o de faltar-te nada. romper-se. que o penso. pouco. o de mirar-me. que penso nom pensá-lo e que dormito. por momentos.



digo: quantas horas fam-nos falta para converter-nos noutra?noutra cousa?
seguidas.
digo: quantas horas levo aqui sem reparar?
é curioso...



respiro. respiro e tenho o certo, quase, de que vou morrer igual que A da ingestom dessas 50 merdas. sem medo.
vou morrer como A. de ingestom de pílulas, digode palavras.




25/01/14

Pero el silencio es tan cierto, tan certero. 
Por eso escribo. Estoy sola y escribo. 
Alejandra Pizarnik




Aquiles tinha a sua debilidade.
Era umha. Umha soa. Mas caeu.
Eu tenho umha debilidade por cada cabelo da cabeça.
O cabelo cae. Também. Como os ânimos depois de umha tarde plana e sem sobresaltos.
Como as lágrimas na cara de alguém sem nome.
Casandra avisava.Sempre avisava.
Mas os ouvidos fecham-se muitas vezes quando nom queremos ouvir.
Som seletivos.
Em que momento nos (pre)selecionamos Nós? Em que momento decidimos desfazer-nos?
Desta vez vejo umha Niké rindo-se. E afastando-se. Leva da mao a esperança.

Sempre sabemos que dizer para nom dizer nada. Nada nos meus olhos. 
Eles falam melhor do que eu.

24/01/14



adrian gheine




o dia que decidim nom chorar mais foi o dia que morreu a raiva. de golpe. figem a exceçom com a minha avoa por me notar por dentro mui pequeno. como nascendo. é difícil de explicar porque ainda dói. ou porque custa o de fazer-se à ideia de ser tu quem rompa. como quando rompim os planos. ser momentos. assusta ter a vida em fotogramas e sentir-te tam filho de puta.



ter um vulto aqui na gorja. pois assim. bem arriba. como querendo sair de golpe e sem reparos mas nom hoje. aguentando. como berrar teu nome em alto e as cousas que deixei para amanhá. para nunca.
é hoje, pode. mas é forte se pensar em seco e sem paradas. assusta hoje. é domingo sempre.

16/01/14


je voudrais pas crever
avant d'avoir connu
les chiens noirs du Mexique
qui dorment sans rêver
Boris Vian



a voz de Héctor Alterio. os post-its. verdes. as sextas de tarde. as terças. as manhás. com sol. que berrem. os filmes à noite. ali. é difícil definir espaços, pensa-o. os beijos na frente. palavras. a antologia do salom. com bigode. a lâmpada da sala. a luz da lâmpada da sala. da pequena. a que era. que chova estando dentro. estar-me vendo. por dentro.

chove, choves, chove...

que tenhas tempo para outro. ler isto rápido e que nom repares. chorar-me. que nom mo pidas. esse caminho. esperá-lo.
'não sou nada. nunca serei nada. não posso querer ser nada'...
e ainda assim os beijos. momentos.

chovemos, chovem...


os domingos nom. que chovades nom. tampouco nom. as luzes. que desligues e tapar a cara. Pizarnik. o lume. a noite do livrinho. a quinta-feira. lembrar-me. as fotos. os pratos sem presa. estrelas. choras? os anos noventa. as cintas do quarto. a calma. o espaço múltiple entre a cama e a parede. as escondidas. os onde os como a casa vazia. de todo. quase. 
e aprender-te, em todas as combinatórias.

13/01/14

MD


Será que já nom tem sentido para nós teimar em manter-nos presentes.
Será que como nom tem sentido umha parte de nós,
a mais pequena e ruidosa,
nom deixa de ver-nos.

Em versos. Em sonhos. Em suspiros.

Será que nunca foi,
 e como nom foi nom sabemos o estrepitoso que poderia ter sido.

                       O choque contra o cemento.

[Sabes de que che falo, ou já estás pensando em parvadas?]

Nom sei como és,
de verdade que nom o sei.
E às vezes sinto que me dá igual. A maioria.
Mas outras,
apareces por aí silêncioso
e a minha cabeça pide cemento.

                                 Pide guerra.



I’m keeping it safe, you know? I’m keeping you safe from here. From me.


Às vezes penso em inglês, e os meus pensamentos soam ainda mais estúpidos. 


 [-Take a breath.
  -Take a bread?
 - Take me, asshole.]

08/01/14





o da fotografia é algo melancólico. também. ou isso penso eu. nom é que o diga por dizer nem porque esteja assim o dia. pode que por preguiça. hoje. como nom saber lembrar o tal momento que me acorda sem saber-me ali. tampouco nom sou parvo e aparento ser consciente. enganar-me. é complicado.
saber que foi um nom poder estar. por todo. um nom vivê-lo nunca e ainda assim pensar que sabes. qualquer um pode conformar-se, suponho.



nom te passa às vezes quando escreves que te inventas... a ti?...algo. e o momento.
nom te passa que (re)vi(vês)?



deliro, pois.



a mim nesta cabeça sobra-me esse espaço onde te catalogo. por momentos. é estranho. depois se o penso nom podo viver sem os reter e sei que sou um pouco adito. que soa mal. que queres... um nom decide nunca os tempos nem os marcos do salom da casa.



nom tés por que fazer-me caso. juro. estou mirando as caras e se fosse eu nem perguntava. dam-me medo. mas resulta interessante ver-vos e rasgar-me a pele. o que lembro é que chovia forte. pom-lhe outubro. e que dumha ponta a outra tinhas três segundos de carreira. vinte voltas de campana. e que eu marchava. e marcho. total tampouco tenho que fazer e cada umha tem o seu momento. o seu espaço para afogar-nos.




Olha aqui.

03/01/14

O fim da cadência

Pendurou da janela o último baile
e sem mirar ninguém aos olhos -por medo-
caminhou em círculos vários quilómetros sem sair da cama.
Hoje estamos aqui reunidos polo medo que temos do seu medo.

 -Há dias que não quere dançar
-Há dias que não dança
-Não dança, não