29/03/14

                                                                                          RF

Às vezes bailo eu sozinha. dentro de mim. fago-o para nom molestar. para nom mudar a tranquilidade aparente desta grande 
                         taça de café.

Bailo soa por pracer. tem algo de exquisito saber-se inalcanzável, e aínda assim ver como as formigas tentam subir e bailar.

Canto a diário. Berro. permito-me desafinar, quando ninguém mira. desafiando estabilidade clásica que me digerom era o bem. como quando vou andando pola rua e piso as linhas. adrede. com um sorriso. ou quando me recreo nos meus defeitos, e quase me chegam a gostar.

Um dia a taça de café encheu-se de formigas. Tivem que tirar todo o líquido polo fregadoiro. Figem outro. Outro café. 
Nom há regras. Nem formigas.

03/03/14


























                                                                                                         




                                                                                                                   tenho medo mais uma vez


01/02/14





meto-me dentro de ti. nos teus olhos, suponho. como no filme. 
e o certo é que entro, nos olhos. ou sinto como dentro e vejo-me a mim. vejo-me a mim porque passamos juntas a maior parte do tempo e desfruto. agarro-me. nom podo negar que sofro mas desfruto e até agrada-me saber que isto é assim recíproco nesses momentos de mental espírito. de aproximar-se. que é angustioso o de faltar-te nada. romper-se. que o penso. pouco. o de mirar-me. que penso nom pensá-lo e que dormito. por momentos.



digo: quantas horas fam-nos falta para converter-nos noutra?noutra cousa?
seguidas.
digo: quantas horas levo aqui sem reparar?
é curioso...



respiro. respiro e tenho o certo, quase, de que vou morrer igual que A da ingestom dessas 50 merdas. sem medo.
vou morrer como A. de ingestom de pílulas, digode palavras.




25/01/14

Pero el silencio es tan cierto, tan certero. 
Por eso escribo. Estoy sola y escribo. 
Alejandra Pizarnik




Aquiles tinha a sua debilidade.
Era umha. Umha soa. Mas caeu.
Eu tenho umha debilidade por cada cabelo da cabeça.
O cabelo cae. Também. Como os ânimos depois de umha tarde plana e sem sobresaltos.
Como as lágrimas na cara de alguém sem nome.
Casandra avisava.Sempre avisava.
Mas os ouvidos fecham-se muitas vezes quando nom queremos ouvir.
Som seletivos.
Em que momento nos (pre)selecionamos Nós? Em que momento decidimos desfazer-nos?
Desta vez vejo umha Niké rindo-se. E afastando-se. Leva da mao a esperança.

Sempre sabemos que dizer para nom dizer nada. Nada nos meus olhos. 
Eles falam melhor do que eu.

24/01/14



adrian gheine




o dia que decidim nom chorar mais foi o dia que morreu a raiva. de golpe. figem a exceçom com a minha avoa por me notar por dentro mui pequeno. como nascendo. é difícil de explicar porque ainda dói. ou porque custa o de fazer-se à ideia de ser tu quem rompa. como quando rompim os planos. ser momentos. assusta ter a vida em fotogramas e sentir-te tam filho de puta.



ter um vulto aqui na gorja. pois assim. bem arriba. como querendo sair de golpe e sem reparos mas nom hoje. aguentando. como berrar teu nome em alto e as cousas que deixei para amanhá. para nunca.
é hoje, pode. mas é forte se pensar em seco e sem paradas. assusta hoje. é domingo sempre.

16/01/14


je voudrais pas crever
avant d'avoir connu
les chiens noirs du Mexique
qui dorment sans rêver
Boris Vian



a voz de Héctor Alterio. os post-its. verdes. as sextas de tarde. as terças. as manhás. com sol. que berrem. os filmes à noite. ali. é difícil definir espaços, pensa-o. os beijos na frente. palavras. a antologia do salom. com bigode. a lâmpada da sala. a luz da lâmpada da sala. da pequena. a que era. que chova estando dentro. estar-me vendo. por dentro.

chove, choves, chove...

que tenhas tempo para outro. ler isto rápido e que nom repares. chorar-me. que nom mo pidas. esse caminho. esperá-lo.
'não sou nada. nunca serei nada. não posso querer ser nada'...
e ainda assim os beijos. momentos.

chovemos, chovem...


os domingos nom. que chovades nom. tampouco nom. as luzes. que desligues e tapar a cara. Pizarnik. o lume. a noite do livrinho. a quinta-feira. lembrar-me. as fotos. os pratos sem presa. estrelas. choras? os anos noventa. as cintas do quarto. a calma. o espaço múltiple entre a cama e a parede. as escondidas. os onde os como a casa vazia. de todo. quase. 
e aprender-te, em todas as combinatórias.

13/01/14

MD


Será que já nom tem sentido para nós teimar em manter-nos presentes.
Será que como nom tem sentido umha parte de nós,
a mais pequena e ruidosa,
nom deixa de ver-nos.

Em versos. Em sonhos. Em suspiros.

Será que nunca foi,
 e como nom foi nom sabemos o estrepitoso que poderia ter sido.

                       O choque contra o cemento.

[Sabes de que che falo, ou já estás pensando em parvadas?]

Nom sei como és,
de verdade que nom o sei.
E às vezes sinto que me dá igual. A maioria.
Mas outras,
apareces por aí silêncioso
e a minha cabeça pide cemento.

                                 Pide guerra.



I’m keeping it safe, you know? I’m keeping you safe from here. From me.


Às vezes penso em inglês, e os meus pensamentos soam ainda mais estúpidos. 


 [-Take a breath.
  -Take a bread?
 - Take me, asshole.]