04/12/13



de neno erguim-me às três ver se seguiam as ruas, postas. e as luzes. colgavam os adornos de natal do lado da cozinha. lembro porque ainda temos os faróis a deslumbrar no escuro. e porque nom limpei os restos do azulejo e porque estou no mesmo sítio com mesnos espaço. suponho. lembro também dizer-lhe algo com os olhos.
bem entendera.



Estuvimos horas así. Kamchatka contra el resto del mundo.. Y no pude ganarle.



alumiava todo. alumiava Tarsi. Também. ela dormia.
o também senhor dijo algo sem falar. eu entendi-no ainda mudando a ordem das palavras porque era a minha história. ou a que me apropriei por falta de mais letras. 



Kamchatka es el lugar donde resistir.



Golfo fugiu um dia onde a esquina da janela. na cozinha. contou mamá que nom sabia mais estórias de mentir-me e guardou silêncio. por dias. eu chorei-no e foi aí que me (des)figem homem.
Por partes.


esse dia de manhá fingim estar doente. da memória. esse dia de manhá nom fum à escola e aprendeu-mo todo.

Golfinho, tampouco eu nom gostei do vinte e cinco nunca.

01/12/13

Escrevim umha chamada de auxilio
                                  em verso,
e nom tivem resposta.
Corrim como se nom houbesse um amanhá
                               rua arriba, rua abaixo
para atopar(-me?).
Bebim cada copa de licor café de cada bar
                                       buscando
a tua interjeçom mágica.
Mas nom estava aí, nem sequera nas botelhas de cerveja
                                                          que baleirei,
                                                         até desfalecer.

Comprei mil relojos tentando aumentar o tempo.
Porque queria que fosse meu, queria mandar nele.
Comim todos os pensamentos nos que aparecia o teu nome,
fige-nos desaparecer como a umha estrela no ceo preto.

Bailei todos os ritmos e todas as melodias inventadas,
para que o meu corpo estivesse entretido
                                                              e nom lembra-se as tuas maos.      

E agora que os dias passarom,
Agora que já Escrevim,
                          Corrim,
                          Bebim,
                          Comprei,
                          Comim,
                          Bailei...                                                         

                                            [ agora que podo fazer por  ti  mim ? ]

16/11/13


imaginaei-mo ali. na sala.
imaginei-mo meio o escuras, de certo. com olhinhos. e metim-che as maos no pantalom adentro porque sempre me sentim seguro ali. na sala. e porque sei que tu também gostavas.

***

arrepias.
agarro a pele com força pra que nom me caia. porque sigo tendo tanto medo...

sei. sempre fum de ter as maos bem quentes mas que talvez hoje nom seja o meu dia. ou talvez pode que este seja o único momento em que explorar-te (em todos os sentidos) sem sentirmos culpa.

***

imaginei-mo ali. na sala. mas tampouco nom sabia que era assim e que ficavas esta noite.
     -se queres festa, depois temos de varrer os cristais juntas.
     -...queres?

e sim.
imaginei-mo assim tal qual que num poema de Pizarnik. confuso.


invitada a ir nada más que hasta el fondo.

11/11/13


foi como no filme esse argentino que vimos de tarde.
a cor antiga. o cheiro a frio. as vozes soavam desiguais, sim. suponho que por causa dos sotaques.


eu entendim que nom quigesses ver comigo a curta. e digo curta por lhe pôr un nome, bem sabes.
afinal sou eu a preferir as tristes, e isso abafa. compreendo.


mas olha, podes-lhe chamar do nome que tu queiras. à vontade. pra te sentires cómoda. que te regalo hoje, vintequatrohoras.


*

som para ti.
atende.

*



com a luz desligada todo pode ver-se [diferente].

09/11/13

este poema tem dOuS dias
contados

e fame de mais versos desses longos com saliva

este poema tem-che como patas
duas
nossas
juntas

e um cabeçal de pau que nos sujeita

este poema tem três caras,
e miram-se continuamente pra fugirem

este poema tem de cinco a dez minutos de berridos
de dous a três problemas resolvidos

de histeria

este poema som as dez da noite num dia de chuva permanente


                    com chuva.


                    permanente.


é suor

este poema é raiva pura
este poema tem três partes inconclusas

                    três erros:
                              eu

                              e mais os dous acertos.

07/11/13

Amor exclusivo aos interesses próprios

                            Abrir em canal
                            não achar o procurado
                         

03/11/13

                                       só 
                   por vezes nesta casa som as 
                           cincomenosquarto 
                                    sempre