07/05/13


Que curiosos os sentimentos
que aparecem de repente.
                                                            Com duas cervejas de mais.

Que curioso, estranho e confuso.
Descobrir-te sentindo sem sentido.
E voltar à origem de todo
                                    o que sempre foi 
                                    nada.

Voltar.
Quem sabe se regressar ao ponto
sem conexom
                        com nenhum outro.
Voltar talvez
a viver o desvivido.

Voltar ali,  de onde nunca marchaches,
                     onde sempre estás,
                     onde nom te (re)conheces.

Voltar a tu
           em tu
           por tu
                              
                                 Soidade.

06/05/13


Figem para ti o revolto mais “extremo”
dos dias todos que passamos a pensar no (re)muínho e na casa que esquecimos ventilar
connosco dentro,
cheias de roupa, ao nosso lado, logo de sacar-nos até a pele de
prenda
em
prenda.
Apreendendo-nos os corpos e os silêncios, também nossos e, os osos, também,
orgásmicos.

Bem sei...
mas foi orgásmic@ perdid@ que lutei na contra
da conta-atrás-das-horas,

e que me sabe mal chamar-te assim
            e taaal e quaaal...
mas que nem sei mui bem teu nome porque nom me importo. Porque som bem cruel. Porque sei que vás marchar de aqui e taaal e quaal e abuurr... e já nos vemos outro dia.

E sei
Bem sei
que foi orgásmica também a despedida.

05/05/13


O meu problema, nom é que nom goste das despedidas.
O meu problema,
é que nom me sei despedir.
Por mais que o tento,
por mais que convenço a esta cabezinha
e a esta pedra preta que tenho no peito
de que articulem essas 5 letras,
nom me fam caso…
e rim-se de mim.                           
                                                                  [Por ilusa, por inocente, por imbecil]

Medições

-É possível que hoje não seja o dia adequado para levar a cabo as medições, senhor. Rompeu o silêncio o rapaz sem deixar de mirar para o aparelho.


O velho não se imutou e seguiu sentado naquela cadeira que estava situada a carão do cristal que os separava daquelas três pessoas. A cadeira, a julgar polo seu aspeto, devia já ser velha quando nasceu o velho.


O rapaz erguia a mirada sem mover a cabeça e dirigia-a cara o velho procurando um aceno de resposta, mais não seria obtido nessa manhã. A saber o que pensava o moço, eu acho que na sua cabeça o mais recorrente a diário era tratar de imaginar o que se passava pola cabeça do velho, de modo que naquela manhã não tinha porque ser distinto.


O velho, do qual não darei nome por respeito à sua família, semelhava levar arredor de três dias sem fazer a barba e os mesmo dias, ou mais, sem mudar a camisa. Das calças também não direi nada, porque como todas as que vestia sempre eram quase iguais, não che saberia dizer se as desse dia estavam limpas, mais a julgar polo que depois dixo a polícia no informe, penso que também estariam sujas.


O velho levava arredor de duas horas sem se imutar, com a olhada cravada no cristal, mas seguramente sem prestar atenção ao que estava ao outro lado, esse dia não creio que lhe presta-se atenção, não. De súbito pujo-se em pé sem apartar-se da cadeira nem apartar a olhada de onde havia horas que não a movia, acho que doutro mundo. Virou a cabeça cara o moço e cravou a olhada nele. Os passos que deu seguiram a linha imaginária que ficava entre os olhos e o rapaz. O jovem era consciente de todo o que passava, mas por medo não foi capaz de centrar a sua olhada no que fazia o velho, senão que dissimulava mirando cara o aparelho.


O velho ficou parado diante da mesa em que estava o aparelho das medições e o imberbe. Sacou a navalha com a que pelava as castanhas e num aceno de reflexos, força e decisão espetou-lha na gorja. Não passaram nem dous segundos e já todo tinha cor vermelha: a roupa, a mesa, o aparelho, a boca do rapaz… Os seus olhos pareciam querer dizer o que a sua boca não podia dizer agora nem digera nunca. O corpo ficava preparado para começar a apodrecer, já não conhecia vida.


O velho, quem levava toda a manhã sem falar, dixo em voz baixa: - Uma ânsia a um lado.


A navalha, que seguia na sua mão, tinha o fio limpo como se fosse inocente de todos os possíveis cargos. O velho mirou cara ela fixamente e deixou-na cair no sobrado. Ele caminhou uma distância de cinco metros até a outra ponta do quarto, onde havia um móvel de madeira de castanho. Abriu a porta do meio e sacou uma caixinha de bolachas e sem apartar a vista dela caminhou até a cadeira que estava ao lado do cristal, mas desta vez não olhou para o que havia detrás Dele. Sentou e pujo a caixa nas suas velhas pernas, abriu-na e colheu um pequeno bote que agarrou com a mão esquerda, entretanto com a direita pousou a caixa aberta no chão. Centrou a olhada no bote enquanto as suas cansas mãos tratavam de abri-lo. Quando o abriu dirigiu-no cara a lâmpada, quedando este entre o foco de luz e os olhos verdes, para contemplar a quantidade de líquido que havia. Quando o baixou colocou-no à altura da boca e após uma espera tremendamente breve, engoliu-no.


04/05/13


Colei a mao na terra e peguei na corda,
ficou ali para sempre,
para @s que vinherem.

Foi
como plantar um tojo na auto-estrada
ali, no meio...
e romper-lhe a cara toda àquele senhor que sai na tele.

O sentimento de caída livre num baleiro que nom queres encher.

A sensaçom de como                        
                                                             pouco                a                  pouco

te precipitas no abismo da soidade,
e ninguém está abaixo para soster-te,              ninguém será quem de salvar-te.

               Resignaçom.                               Corrosom interior.

O eterno retorno ao teu lugar de descanso...
                                                                        ao mesmo tempo que te (des)integras.

25/04/13

Ao mar

tivem de apanhar todo isso que sabedes que se apanha quando che rompem algo
tivem de apanha-lo e ata-lo bem tivem de com essa merda de anacos construir um
algo minimamente sólido ou pesado ou como hóstia se diga para que pesasse o
suficiente para poder tira-lo ao mar a ver se nom pasava como com a merda das
baleas mortas que como som tam grandes e tam pesadas sempre acabam tiradas
num areal e sabemos bom eu sei que cheira mal...

a dizer verdade eu nom sei onde está este mar
a  dizer verdade eu nom sei como é este mar

                                                                    deve ser tam grande, deve ser tam húmido e tam mortal
                                                                    como os restos que ficarom em terra no caminho cara ele...
                                                                           
                                                                            como os restos que ficaram
                                                                            como os restos que ficaram
                                                                    
a dizer verdade eu nom sei onde está este mar
a  dizer verdade eu nom sei como este mar